
Eu costumo ser a pessoa que procura um lado positivo em tudo e todos, sempre que possível, mas, ao olhar pra essa coleção de alta costura da Chanel, não consegui – e acredito que admiradoras da maison, quando ela era comandada por Kar Lagerfeld ou mesmo Virgine Viard, vão me entender.

Acima, Karl Lagerfeld ao final do desfile de alta costura da Chanel, de primavera-verão 2017
A galera cool vai me chamar de conservadora e eu aceito o nome pejorativo, porque existe uma palavra de ordem quando se trata de Chanel e de maisons como essa que se chama tradicionalismo.
E tirar completamente a raiz das referências da marca, para trazer uma estética completamente moderna e simplista, muito diferente de tudo que sempre foi feito, é aniquilar essa parcela de tradicionalismo de um jeito, na minha visão, até desrespeitoso.



É inegável que Matthieu é um artista, sim. Bom no que faz no sentido técnico.
Mas ele não é bom em releituras da Chanel quando tudo que apresenta em uma passarela de verão são batas mais sofisticadas, um baloné completamente fora de contexto, um cenário alucinógeno e estampas e texturas que mais parecem uma Balenciaga refinada que qualquer outra marca.

Há sim que acompanhar o movimento e o fluxo das coisas que progridem, mas, a meu ver como fã da marca, não vi nenhum progresso em desconsiderar completamente os clássicos de uma maison que foram tão bem conservados por tanto tempo pelas mãos de Karl Lagerfeld – que, a essa hora, deve estar desgostoso no outro plano – e que sempre foram aclamados e consumidos por isso.
As principais referências que sempre fizeram Chanel ser Chanel foram dizimadas pra dar lugar a escamas, formas molengas, texturas grotescas e estampas que nada dialogam com a pomposidade e elegância da mulher Chanel, que sempre foi objeto de desejo não só das consumidoras da marca, mas de fãs que almejam consumir.



Um ponto positivo? A cartela de cores e a trilha sonora do desfile. Pode-se dizer que, de todas as referências que fazem fãs da Maison se reconhecerem em algum ponto, estas se salvaram.
O casting de modelos mais velhas foi algo positivo também? Sim. Embora Karl já tivesse feito isso, o que não torna o fato exatamente uma novidade e uma transgressão.
A verdade é que as vendas vão dizer o quanto de fato essa mudança grotesca foi bem sucedida e, arrisco dizer, se tiverem adeptas, com certeza serão do público da geração Z e de “Enzos” que nada sabem sobre história da Chanel ou de qualquer outra maison.
Confira o desfile na íntegra aqui

E você? O que achou dessa coleção?? Me conta aqui.
Xoxo,

Me chamo Marcéli Paulino, nascida em 16 de Julho de 1988, e sou bacharel em Tradução e Interpretação, curso que iniciei com 17 anos! Um pouco antes de me formar, já me interessava muito por moda e sabia que queria estudar e atuar na área. Então, assim que peguei meu diploma, foi o que fiz: procurei formações na área, que era meu sonho…