8 de Março: minha história como mulher no amor, na carreira e na vida social

8 de Março | dia da mulher | historia pessoal | autobiografia | diario de vida pessoal | feminismo | poder feminino | empoderamento

Tenho certeza de que fui bem clara aqui sobre o que essa data de 8 de Março, pra além de ser o dia do nascimento de uma pessoa muito importante na minha vida – meu primo – significa pra mim. Mas, pra além disso, diante de alguns cenários caóticos pessoais e globais, eu resolvi também contar a minha história.

Não porque eu sou o alecrim dourado ou a última bolacha do pacote (talvez sim, pra alguns) mas, principalmente, porque como mulher eu sei que minha história pode inspirar a de muitas outras. Ou poucas, tanto faz. Mas alguém sempre tem a aprender e a se motivar com o que temos a dizer.

Então, se você quer saber mais sobre a Má, a pessoa física, o CPF por trás da Consultoria A.D.E., da moda, de Taylor Swift e dos looks “Blairzísticos” que eu já mostro no meu dia a dia, senta e presta atenção nos próximos parágrafos.

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A Marcéli nasceu em torno de 30 e poucos anos atrás, num dia frio (amo) de 16 de Julho. Inicialmente criada como filha única (pois aos 22 ganhou uma irmã do segundo casamento de seu pai), sempre foi o bibelô da mamãe. E por ser o bibelô e a boneca de porcelana, sempre foi muito cobrada de não errar. Era a criação da época e tenho certeza que todos que participaram da minha criação deram o melhor que sabiam e conseguiam àquele tempo.

A Má criança sempre foi sonhadora, criativa, desinibida, bom, pelo menos no início de sua vida. A separação de seus pais (aos seus 8 pra 9 anos) causou um trauma profundo em muitos níveis, tornando-a muito introspectiva, tímida, com profundas inseguranças e uma pessoa facilmente vulnerável e à mercê de sentimentos mais arrebatadores, especialmente, ele: o amor romântico que tanto nos é ensinado (pra quê, mesmo?).

Mulheres Millenials e da Geração Y têm muita dificuldade de entender o que merecem, porque foram injustamente ensinadas a serem perfeitas pra todos: familiares, amigos, HOMENS (um troféu que fomos ensinadas a conquistar – que piada), no trabalho e por aí vai. E assim como elas, Má criança estava no meio. Então, não importava muito minhas vontades e sonhos: eles precisavam estar dentro da aprovação de todos ou da maioria julgada relevante na minha bolha.

E nesse bolo de sentimentos mal trabalhados, mal compreendidos e mal resolvidos, cresceu a Má adolescente cheia de medos, frustrações, podações… como se naturalmente isso já não fosse acontecer, porque adolescer é sobre isso, com a criação meio torta e os traumas só piorou. Da infância à pré adolescência, essa Má da qual falo – acreditem se quiser – cresceu muito fechada, com problemas de socialização, sofreu bullying na escola, era sempre zoada pelos meninos (coisas como ganhar o troféu “da mais feia da classe”), nunca soube o que era reciprocidade no amor, porque o garotinho de que ela gostava nunca gostava dela de volta, e jamais pensou um dia ser exemplo de uma boa imagem e estilo, seja lá o que isso signifique.

Já a Má adolescente pré fase adulta começou a, digamos, “entrar nos padrões de beleza” e o jogo começou a mudar. As meninas que antes faziam bullying queriam ser suas amigas e a aceitavam na turma; os garotos se interessavam aos montes e a Má que antes era excluída e renegada socialmente (enquanto muito enaltecida e extremamente cobrada no âmbito familiar) passou a conhecer o que era ser popular. Curiosamente isso parece história de filme dos anos 2001. O grande problema disso? Dentro dela, foi ativado um botão do “ser escolhida”. Então a rejeição que antes a envergonhava deu lugar a um sentimento bom de aceitação que, sim, é positivo, mas que como sendo a única coisa que ela conhecia como positivo, passou a ser o seu “objetivo”, de certa forma. Que erro, meu Deus.

Soma-se isso à ausência de autoconhecimento e desinteligência emocional, que nunca jogaram à favor dessa Má, ainda que as circunstâncias fossem razoavelmente favoráveis, e temos um coquetel explosivo de autossabotagem se formando no emocional. Como resultado, ela nunca fez muito boas escolhas para si, porque, lembram? Ela foi ensinada a agradar e a ser escolhida. E nem sempre agradar a si significa agradar a todos – é preciso, muitas vezes, escolher entre um e outro. Duas coisas que lhe faltavam muito: agradar a si mesma e escolher.

O primeiro amor de sua vida foi um menino muito legal que morava longe e cujas famílias tinham alguns problemas; ela não pôde aproveitar a relação tanto quanto gostaria por conta de interferências externas, então, não durou muito e o término foi bem devastador para ambos – especialmente para ele, que nem merecia, coitado. O segundo amor de sua vida, que foi sua primeira experiência íntima mais significativa, digamos, praticamente a estupr*u. E adivinha de quem “foi a culpa”? Pois é. A vida amorosa dessa Má, no decorrer da adolescência e da fase adulta foi uma sucessão infinita de decepções e poucas boas oportunidades que, quando surgiam, ela nem sabia aproveitar, porque a falta de autoconhecimento e de inteligência emocional a impediam de fazer isso direito. Em resumo: ou ela saía com o coração partido ou ela partia o coração (geralmente de quem não merecia).

Eis que a Má adulta chegou e, após muitas escolhas amorosas deploráveis (e também profissionais e de amizade), passou a ler muito mais sobre autoconhecimento, autoestima e poder feminino e aí sim começou a nascer uma nova versão um pouco mais saudável de si mesma. Ela começou a esperar menos ser escolhida e a pisar fora da bolha, em todos os sentidos – profissional, pessoal, social – fazendo o que realmente a realizava: largou o trabalho que “era tido como ideal”, parou de aceitar trabalhos exploratórios e começou a trabalhar no que acreditava e a realizava (coisa que faz até hoje, by the way), vivenciou experiências no âmbito pessoal que tinha vontade com ou sem aprovação de pessoas ao redor, sorriu, escolheu um pouco mais, quebrou a cara, comemorou. Fez tudo com um pouco menos de prisão e mais autenticidade e não se arrependeu. Vivendo sua vida de solteira muito bem, obrigada, de repente encontrou um cara que, ao seu ver, parecia ser perfeito para aquele momento, mesmo que não planejado. Até hoje, vale pontuar, não sabe ao certo se foi uma escolha ou se, de novo, foi escolhida. Mas, dessa vez, ao menos foi algo positivo de forma geral.

Um “casamento” na prática, meio sem planos, nasceu dali e, vejam só, ele também não tinha muito a aprovação de algumas pessoas ao redor. Mas a Má que já era mais forte e empoderada fez o que tinha vontade na ocasião e vivenciou aquilo. E não, não se arrepende, apesar dos percalços (afinal de contas, o que na vida não tem grandes desafios, né)?

Corta para um momento de remember de bullying, pode-se dizer, dessa vez, cibernético, em meio a um caos mundial que abalou profundamente a vida de todos: a Pandemia de 2020. Chega a ser engraçado como, de repente, um grupo de pessoas resolve que sabe tudo sobre sua vida e sobre o que você deveria fazer ou deixar de fazer com ela – e pior: juntam-se em coro e expõem isso da maneira mais rude, grosseira, sem empatia e sem o menor escrúpulo publicamente. Ainda bem que isso agora é crime. Mas na época não era e esse foi um tiro de bazuca na autoestima dessa Má em construção, que ainda era tão pequena e iniciante. Foi aí que a Má daquela época, em sua 1a edição da fase adulta, conheceu a Terapia. Por pura necessidade, porque, vejam só, isso também não lhe foi ensinado – que criança Millenial e da Geração Y aprendeu que deveria cuidar da saúde mental? Nenhuma. O tal do “há males que vêm para o bem” se concretizou aqui. Vale dizer, inclusive, que nessa fase a terapia a salvou de uma depressão e crise de pânico profundas.

Iniciei meu processo de psicoterapia, que foi um poço de redescobertas sobre mim e sobre tudo à minha volta. E aí o grande lance de se redescobrir é que muitas coisas se curam e outras passam a se tornar um problema – problema este que você não enxergava ou que passou a sê-lo porque você virou outra pessoa. E a gente vira várias pessoas ao longo da vida. A Má que eu era e que vos fala se transformou muitas vezes e segue se transformando. Com a mesma essência, com os mesmos sonhos (talvez maiores), mas com prioridades, atitudes e decisões diferentes do que tomaria antes. Em sua maioria, julgo eu, mudadas para melhor.

A MÁ DE HOJE – QUE PARCIALMENTE VOCÊ CONHECIA ATÉ ESSE POST

E aí, finalmente, corta para a Má dos dias de hoje: em sua 2a edição da fase adulta, terapeutizada em certo nível, se redescobrindo a cada dia, cometendo muitos erros e outros acertos e tentando se amar no processo – sem esperar ou TENTANDO não esperar aprovação à sua volta. Escolhendo mais do que sendo escolhida. E aqui vale um ponto muito importante: graças a muita terapia, exercícios de autoconhecimento e até a própria Metodologia A.D.E., que criei com base na minha experiência e com base em tudo que sei hoje sobre saúde mental e emocional, eu pude resgatar minha essência da Má criança: desinibida, criativa, sonhadora, otimista. Com ressalvas e filtros necessários que a vida adulta pede, sem dúvida, mas, ainda assim, com o meu temperinho pessoal que eu tanto valorizo e que por tanto tempo, ao longo da minha vida, eu havia perdido. É graças a esse temperinho que hoje eu posso ser feliz no processo, mesmo que ele esteja infernal em algumas fases.

No fim das contas, acredito que seja isso: a beleza da vida é viver com autenticidade e autoamor antes e depois de qualquer coisa. Hoje, eu diria que um dos meus maiores aprendizados – além da parte intelectual que sigo aperfeiçoando – é honrar meus valores e, com isso, saber exatamente aquilo que eu mereço e aquilo que não. E agir de acordo com isso (é verdade que muitas vezes falho, mas, sigo tentando). Me sinto extremamente realizada no profissional, tenho certeza das coisas que quero alcançar na minha carreira e sigo me construindo na parte emocional. Detonei algumas bombas neste setor, por sinal, mas a intenção é reconstruir melhor e eu diria que essa fase ainda está, de fato, em construção, no seu início. Hoje eu ESCOLHO mais e eu ME LIXO pras aprovações.

Funciona assim com a Má de hoje: é isso que vou fazer pela minha felicidade. Você concorda? Ótimo. Discorda? Me respeite ou saia da minha vida, se for pra me oprimir ou me agredir.

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Por fim, sigo com uma verdade dentro de mim: não temos e nunca teremos um manual para seguir corretamente e acertar nos resultados na vida, porque é tudo tão relativo… Nós só temos a nossa própria lente pra tomar nossas decisões – os outros terão as lentes deles e quase nunca vamos concordar. E a minha certeza de hoje é a de que eu quero ser feliz no processo e não precisar agradar ninguém, nem ser escolhida por ninguém.

Ainda que eu sofra, chore, me desespere, tenha muito medo, me arrependa ou não, eu quero ser feliz todos os dias no meu processo. Hoje e sempre ao longo da minha existência.

Minha trilha sonora pra esse texto? Epiphany e The Last Great American Dynasty do álbum Folklore, de Taylor Swfit, óbvio.

Que minha caótica, humilde e sincera história te inspire a honrar a sua. Com amor,

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