O narcisismo intoxica até mesmo relações de amizade e esse é um relato real

Eu pensei muito antes de escrever esse post, porque, primeiro, daria um livro facilmente e, segundo, me expõe bastante no âmbito pessoal – coisa que evito demais fazer, uma vez que meu próprio trabalho já faz isso em algum nível.

Na foto acima: clique recém acordada após o banho de realidade sobre tudo pelo que estava passando

Há mais ou menos 4 anos, dei um passo em relação ao meu desenvolvimento pessoal e isso me aproximou de pessoas. Não me arrependo desse passo dado, mas, me arrependo um pouco do espaço dado a algumas pessoas desse meio. Explico:

é um paradoxo, mas, eu tenho o hábito automático de julgar alguém e, automaticamente, de me “conter no julgamento” logo em seguida, dando espaço para que a pessoa se revele – provando esse meu julgamento ou não. O famoso “benefício da dúvida”, sabe? E eu não sei você, aí do outro lado, mas eu tenho certa habilidade de ter um julgamento assertivo sobre quem conheço. Na grande maioria esmagadora das vezes, meu feeling sobre essa pessoa está certo – e a própria pessoa prova isso com o tempo.

Até o presente dia, eu só havia tido contato com posturas narcísicas no ambiente familiar e na vida amorosa. Mas, pela primeira vez, eu convivi com uma pessoa narcisista na vida social e posso afirmar: é exaustivo da mesma maneira que nos outros âmbitos. Especialmente, se for uma pessoa presente em uma ambiência onde você escolheu se cuidar (emocional, mental ou fisicamente).

O padrão narcisista de qualquer pessoa

É fato que Freud já nos ensinou sobre o comportamento narcísico ser algo inerente à natureza humana, pois é uma questão de sobrevivência. Mas o narcisista patológico perde esse limiar entre o “uso” do narcisismo, digamos, e age de maneira tóxica e abusiva em prol de si mesmo. E aí vai depender do interesse dele(a): ser o mais inteligente da turma, o mais engraçado, o mais “galera”, o que arrasa corações (ou tudo isso junto). E sabe qual é o grande problema? Ele, o narcisista, não aceita perder.

Qualquer atitude “contra” os planos dessa pessoa narcisista será minada completamente, mas não é um minar escancarado. É um comer pelas beiradas venenosa e vagarosamente, exatamente como um veneno que vai espalhando pelo corpo sem você perceber e, quando você se der por conta, já era, está à beira da morte.

Vamos fazer um combinado para prosseguir

Aqui eu vou dar um codinome neutro para essa pessoa, para preservar a mim e a todos os envolvidos (porque a pessoa mesmo eu adoraria que explodisse, sendo bem honesta): vamos chamar essa pessoa de BDC. O significado da sigla só eu e meus guias sabem (risos), mas deixarei claro que toda vez que eu citar “a” BDC, me refiro à pessoa, portanto, pode ser homem ou mulher, não vou especificar isso.

BDC é aquela pessoa legal, que ninguém tem absolutamente nada contra – ao menos, até conhecer melhor. Costuma ter atitudes muito solícitas, parece altruísta, simplória e engraçadinha umas horas. De cara você nunca vai ligar o que estou dizendo a essa pessoa, à menos que conviva bem com ela. E aí é que está o problema de pessoas com transtornos narcisistas, sociopatas e psicopatas: elas sempre são quem ninguém desconfia. Já diz-se na psicologia: o maior predador é sempre o mais legal e/ou o mais atraente. Na verdade, ainda convivendo, há quem nunca descubra que elas são como são.

Atraente para BDC é uma palavra muito forte na minha opinião; posso dizer isso até mesmo como especialista em imagem, mas, legal, sim, é algo que essa pessoa faz questão de parecer – arrisco dizer que é porque sabe que os próprios atributos físicos não são lá grande coisa. É uma estratégia.

Eu não sou a mais extrovertida do rolê e, portanto, em ambiências novas costumo sentir bem os ares antes de me aproximar de qualquer um. Pois BDC notou isso, pessoa astuta que é, e devagarinho conquistou aproximação.

POR QUE RAIOS EU NÃO OUVI MEU FEELING?

Porque narcisistas são craques em fazer você duvidar de si mesma, seja no começo, seja no fim (até agora, escrevendo aqui, eu ainda duvido de algumas coisas e me pergunto se não estou sendo exagerada, pra você ter uma noção. É nesse nível, mas, aos poucos, você provavelmente vai dizer que não, não estou.). E o que me dá mais ódio, fazendo um recorte dessa época inicial para hoje: as coisas que BDC usou para se aproximar são as mesmas para as quais hoje essa pessoa caga e anda, ou seja: não eram naturais e espontâneas, eram encenações. Bom, continuando.

BDC sempre muito solícito, do absoluto nada e sem eu dar nenhuma intimidade (eles são bons de serem “entrões”, mas legais ao ponto de você perdoar a efusividade) passou a curtir muito as minhas coisas na internet. Se me via presencialmente, puxava assunto, tentava entrosar, prontamente praticava alguma gentileza; no online, comentava algo admirando, em suma, fazia questão de estar sempre presente. E se faz sempre presente em qualquer situação, é impossível estar num lugar e esquecer que BDC existe, a pessoa simplesmente impede qualquer um disso.

E o que acontece quando essas atitudes se repetem? Você começa a acreditar que existe algum tipo de amizade ou conexão. Você encara as atitudes como um carinho gratuito, apenas uma pessoa sendo legal e cortês, quando, na realidade, o que BDC quer quando se aproxima é gerar status para ela própria. “Por que status”? Não sei, no meu caso, talvez por eu ter alcance, ser “famosa”, não sei. Dentro da cabeça de uma pessoa narcisista só ela vai se entender, se é que vai. Mas uma coisa é fato: um narcisista jamais fará algo gratuitamente, sem pensar em seu benefício próprio. E, da mesma maneira com a qual se aproxima, se essa tal proximidade deixar de ser vantajosa por algum motivo, a pessoa narcisista evapora, esfria, muda da água para o vinho, deixando você com um sentimento de descarte. É isso mesmo. E a pior parte? Isso pode ter um “vai e volta”, sim, causado por ela(e).

A IMAGEM DIZ SIM MUITO DO QUE A PESSOA É — EU SÓ NÃO DEI OUVIDOS

Como eu já mencionei, BDC não é uma pessoa lá com muitos atributos físicos chamativos. É aquela pessoa mediana para “feinha”, o que, automaticamente, para sua sobrevivência e alcance de seus objetivos, a “obriga” a ser legal (ou, ao menos, a parecer). Narcisistas sabem como chamar atenção para o que querem e fazem isso intencionalmente. Como todo mundo sabe que eu trabalho com imagem e estilo, é óbvio que estes serão atributos que considero importantes e, aí, é CLARO que BDC vai se esmerar para cuidar destes atributos e assim gerar mais um ponto de conexão.

Então, o que ocorreu com o tempo?

1- conheci BDC, mas não liguei nada no início (inclusive, era zero uma pessoa que pensava em estreitar laços);

2- a “persistência” em gerar conexão e se mostrar alguém de quem vale a pena se aproximar foi sendo criada constante e gradativamente;

3- eu realmente acreditei que era uma pessoa especial para BDC e “cedi”;

4- no momento em que cedi, os joguinhos de manipulação começaram.

DO CEDER ACESSO À CHEGADA AO LIMBO EMOCIONAL

Narcisistas conseguem com sucesso te fazer se sentir especial e um lixo ao mesmo tempo, na mesma proporção, quando lhes convém. Te fazem se sentir especial para ter sua reciprocidade e te fazem se sentir um lixo quando você perde a utilidade. Neste sentido, BDC me fez sentir hiper especial, uma pessoa única, uma amizade importantíssima por um tempo, até quando entendeu que isso traria-lhe benefícios: da minha atenção, da minha generosidade, da minha influência no meio (algo do tipo “nossa, BDC é amiga da Marcéli”) e coisas assim. Mas BDC é o tipo de pessoa (narcisistas, nean) que enquanto fazia este joguinho comigo, também fazia – e faz – o mesmo joguinho simultaneamente com várias outras pessoas. E quando comecei a entender isso, ao observar mais atentamente, sem o olhar “inebriado”, eu pude perceber nitidamente.

Mas a questão não é apenas o fazer estes joguinhos: a questão é que, com eles, BDC cria rivalidades veladas e SABE disso. Ou seja: todo mundo acha BDC incrível e se odeia veladamente pelos bastidores. Dá pra sentir. BDC quer todos os holofotes para si, quer ser a pessoa mais querida e maravilhosa, vez ou outra toma partidos quando acha que vale muito a pena, para ser vista com senso de justiceira, mas, no fundo mesmo, quer todo mundo se odiando e apenas ela sendo o Sol, o centro do universo. É repugnante.

E quando foi que constatei que eu havia caído no senso de rivalidade de outras pessoas? Quando constatei e soube, por uma única pessoa realmente amiga, que pelas minhas costas eu meu trabalho foram piadas “na rodinha”. Coisas como “ela se acha”, “pretensiosa”, “patricinha fútil”, “só liga para beleza” foram algumas das menções a meu respeito. E doeu muito, porque, apesar de alguns ali eu até esperar essa atitude lixo, de outras eu não esperava – e, adivinha? BDC era uma delas. Daí eu comecei a entender por que, apesar de ser seguida por muitos, nunca ali eu recebi uma mísera curtida, um comentário de apoio, NADA. De BDC sim, no início, quando queria minha confiança.

O narcisista é como um camaleão: muda de cor e de aparência para ser adorável dentro do núcleo em questão. Então, pela minha frente, já falou várias coisas positivas sobre o que eu faço, até mesmo que contrataria meu serviço, mas, pelas costas, “eu sou a patricinha burra que trabalha com algo fútil”. Se eu fosse a Marcéli de uns 10 anos atrás, eu vazaria nome e endereço dessa pessoa maldita, sem pudor algum. Para a sorte dele, no entanto, hoje eu tenho mais maturidade, então, eu vou confiar na justiça do universo de que o que é de cada um vem na sua proporção e merecimento – inclusive, creio muito que isso que eu estou passando agora seja do meu merecimento, pelos erros estratosféricos e imbecis que eu cometi acreditando na real amizade e carinho de BDC; por isso, eu sei que o que é dela vai vir também.

COMO O NARCISISTA ESCOLHE SUAS VÍTIMAS

Aqui eu vou parafrasear uma pesquisa de psicologia, que acredito que serve de alerta para todas as pessoas que estiverem lendo – então, anota aí:

“O narcisista escolhe pessoas empáticas, generosas e com forte tendência a cuidar dos outros, buscando perfis que perdoam fácil (comigo BDC errou nessa), possuem limites frágeis ou passam por vulnerabilidades emocionais, transformando essas qualidades em ferramentas de manipulação. Características que atraem o narcisista:

  • Empatia elevada de pessoas que tendem a entender o lado do agressor e dão muitas chances;
  • Dificuldade em dizer “não”: indivíduos que evitam conflitos e priorizam o outro;
  • Tendência à culpa: quem assume a responsabilidade pelos erros da relação;
  • Carência ou vulnerabilidade: momentos de transição ou fragilidade emocional na vida da vítima.

O PROCESSO DE ESCOLHA E APROXIMAÇÃO

  • Observação: o manipulador estuda as reações, os valores e os pontos fracos do alvo;
  • Espelhamento: ele imita gostos, opiniões e jeitos da vítima para criar uma falsa sensação de alma gêmea;
  • Teste de limites: o agressor faz pequenas ofensas ou testes para ver se a pessoa aceita e perdoa facilmente”.

É muito importante que você se lembre que, à menor semelhança com estes sinais, isto não é coincidência. Eu sei que parece absurdo ou coisa de filme, mas, acredite: filmes imitam a realidade, não o contrário.

EU, COMO ESTOU NESSE EXATO MOMENTO

Hoje, após 4 anos (resumidos nesse textão), eu finalmente tomei a única decisão possível: afastamento. Eu relutei muito para fazer isso, porque infelizmente significa abrir mão de pessoas e ambiências que são importantes para mim, mas é aquela tal história: escolha o seu difícil. O afastamento é a única solução possível pra se proteger de narcisistas, pois, assim como os psicopatadas, eles sempre podem achar conveniente de novo uma reaproximação – e eles VÃO conseguir te convencer a ceder de novo.

Que esse texto chegue nas mãos certas de quem fará bom uso dele. PS.: esse texto pode ser atualizado a qualquer momento.

Xoxo,

Má.

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